Entrevista: Obesidade vs Força de vontade

Entrevista por: Marília Esposte.

“Em meio a cirurgias, dietas e exercícios, as pessoas fazem de tudo em busca de um corpo saudável e bonito, vencendo assim, o monstro da obesidade.

A obesidade no Brasil hoje, já abrange mais da metade da população, tanto masculina, quanto feminina. E não precisa ir tão longe para encontrar histórias de pessoas que passam, ou já passaram por essa dificuldade. Em Cascavel no Paraná encontramos a futura nutricionista Karime Hamoui, que não se satisfez em emagrecer 37 quilos, quis também ajudar as pessoas a conseguirem a mesma meta, e para isso criou um blog, onde posta receitas saudáveis e muito saborosas.

Marília: De onde veio a vontade de estar magra, da pressão dos padrões de beleza ou por motivos de saúde?
Karime: Ambos. Mas o que eu vejo como “padrão de beleza” é bem diferente do que muitos veem. Eu gosto de definição muscular, massa magra. Mulher estilo modelo não me agrada nada. Tem que ter curvas!
Marília: Para perder tanto peso, você teve que passar por procedimentos cirúrgicos. É possível obter resultados como os seus sem a ajuda da cirurgia?
Karime: Após pesquisar muito eu decidi fazer a cirurgia bariátrica, mas é com certeza as pessoas podem conseguir resultados apenas cuidado da alimentação e fazendo exercícios. No meu caso a cirurgia foi indicada por eu estar acima do peso há 10 anos e ser novinha, e minha pressão medir 16×10,os triglicérides estarem alto e eu já possuir sintomas de pré-diabétes.
Marília: Procedimentos cirúrgicos como estes podem ser um risco para meninas muito novas? Qual seria esse risco?
Karime: Eu fiz minha cirurgia aos 18 anos, e os riscos existem, sim, mas são bem menores quando se faz todos os exames pré-operatórios, passei por toda a equipe multidisciplinar, psicólogos, nutricionista, cardiologista e psiquiatra, e fui liberada. Não tive complicação alguma.
Marília: Quando se mora com os pais, o mais importante sempre é o apoio deles, como vocês encararam isso tudo?
Karime: Meus pais sempre tentaram me ajudar com a mudança de peso, mesmo antes de eu mesma decidir mudar, eles me levavam aos médicos, não compravam besteiras, sempre tentavam me manter saudável, até me mandaram para um SPA. Eles me apoiaram em todas as decisões que tomei e hoje até mudaram um pouco da alimentação também.
Marília: As pessoas costumam dizer que quando a criança é mais gordinha é por causa da genética, no seu caso, foi a genética a culpada?
Karime: Não, meu peso ficou assim por conta da comida mesmo. (risos). A má alimentação. Eu comia bastante porcaria, lanchava 2, 3 vezes. Passava o dia comendo e nada de exercícios. Meus pais não compravam bolachas e essas coisas, mas eu comprava sozinha e comia escondida. A genética não influenciou em nada. Minha mãe é bem magra e meu pai também.
Marília: Se não foi por genética, como foi que você excedeu tanto o peso, qual foi o estopim disso tudo?
Karime: Quando eu tinha 8 anos, passei por um infecção no ouvido, e por conta disso tive que tomar muitos remédios, entre eles, um que levava corticoide em sua composição. Isso, somado a toda comilança fez com que eu engordasse cada vez mais, aos 12 anos já estava pesando 75 kg.
Marília: Você sofreu bullyng por conta disso quando era criança?
Karime: Eu sofria muito na escola, constantemente, era horrível, ainda que minha família sempre tentasse me ajudar. Quando eu era bem novinha, eu comia o meu lanche e o das outras crianças, mas o pior foi depois, quando estava com uns 18 anos e pesava 95kg passei por uma espécie de humilhação na escola e depois disso e de uma série de outros acontecimentos, acabei entrando em depressão.
Marília: O que você acha que as escolas podem fazer para ajudar as crianças que estão nesta mesma situação?
Karime: Prestar atenção no que acontece com os alunos. Cada um deles. É muito fácil de notar quando uma criança é descriminada pelas outras. Mas algumas têm medo de falar. Por isso eu acho muito importante os professores estarem atentos aos comportamentos das crianças. E não tolerar nenhum tipo de brincadeira de mal gosto.
Marília: Qual foi sua maior dificuldade pós operatória?
Karime: No começo eu só podia beber líquidos, e é ruim ter que deixar de comer as coisas deliciosas que existem por aí, acho que é a pior parte.
Marília: Agora você acha que está no peso ideal ou ainda quer emagrecer mais?
Karime: Meu peso está ideal, sim. Mas tenho outros objetivos no momento, como reduzir drasticamente meu percentual de gordura corporal, e claro, tenho que continuar cuidando da alimentação para conseguir manter a forma.
Marília: Como você se via antigamente e como se vê agora?
Karime: Eu me olhava no espelho e não gostava do que via, me sentia muito mal pelo meu corpo. Hoje sou uma Karime completamente diferente. Não só por fora, mas por dentro. Quem me conhece de perto, sabe muito bem como eu mudei. Corpo, cabeça, coração. Mudei completamente, e sinto muito orgulho de mim mesma. Além disso, muitas das pessoas que me fizeram mal no passado, hoje vem falar comigo como se nada tivesse acontecido.
Marília: Tenho certeza que muita gente também sente muito orgulho de você. E para quem quer ficar orgulhosa assim, que dica você daria?
Karime: Minha dica é: não desistam. É difícil sim, mas é a vida. Precisamos abrir mão de algumas coisas pra atingir nossos objetivos, e o resultado é gratificante. Então quando pensar em desistir, nunca olhe pra frente e pense no que ainda falta. Mas sim, olhe pra trás e veja o que já foi conquistado. Mesmo que pouco, continue, vale a pena!
Marília: Hoje, o que te mostra que valeu a pena toda sua luta? O que mudou na sua vida?
Karime: Poder entrar em calça 38, atrair olhares (risos), vestir tamanho P, e agradar a mim mesma diante de um espelho. Com tudo o que aconteceu me apaixonei por nutrição, que hoje é minha faculdade, e criei o blog, onde compartilho não só a minha experiência, mas a de várias mulheres que passaram e passam pela mesma situação. Lá, eu posto receitas saudáveis e super gostosas que ajudam a deixar a dieta muito mais fácil e gostosa.
Marília: E para finalizar, como você se imagina daqui a 10 anos?
Karime: Me imagino no corpo que quero, casada, com um filho já. E bem estabilizada profissionalmente. Resumindo, realizada.”

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